Friday, January 21, 2005

(XML = evil) v (¬ XML = evil)?

Eu gosto de XML e WebServices. No primeiro post deste blog demonstrei meu desprezo por modas. Quem leu qualquer publicação de TI ou assistiu a algum evento da área nos últimos três anos sabe que WebServices são uma moda. Os departamentos de marketing das grandes corporações de tecnologia trabalham incansavelmente gerandohype a respeito de SOA, WS-?, OASIS, Dublin Core, RDF, ...

E é justamente por ser uma moda que eu os aprecio. Incoerência? Talvez, mas primeiro deixe-me explicar. Em termos puramente tecnológicos os WebServices não apresentam nada de novo. Seja usando uma maneira baixo-nível, bare-metal, I'm-a-unix-hacker, all-I-need-is-a-socket-and-some-ASCII seja pelo caminho orientado-a-objeto, programando-em-C++, escrevendo-papers-sobre-sistemas-distribuídos, os problemas a que as especificações WS' se dirigem já foram resolvidos no passado. A diferença é que agora percebe-se um momento maior levando essas iniciativas à frente. Quem não gosta da palavra moda, pode adotar um buzzword e chamar de network effect; existe uma vontade de organizações e pessoas de se comunicar, e o meio pelo qual esta comunicação está ocorrendo é a pilha de WebServices.

Clay Shirky faz uma bela exposição, como de costume, do fato que nenuma tecnologia, por si só, tem o poder de fomentar colaboração. Esta só ocorre quando humanos, nas duas pontas, decidem que o trabalho de se definir bases comuns para a comunicação é recompensado de alguma forma. E eu vejo no hype desmedido sobre os WebServices uma manifestação dessa disposição. Se não der certo, pelo menos temos o conforto que exércitos de marketeiros perderão seus empregos...

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